24 de mai de 2010

hoje eu vi um fantasma na janela do quarto.
ele apenas me sorria, parace que entendia
aquela nuvem estranha no céu.
e os pés da moça pousados no seu colo,
que tanto me incomodava na tarde de domingo.
'já estou morta' lhe dizia.

16 de mai de 2010

'atrapalhada como sempre', repetia silenciosamente
como um mantra que talvez resolvesse alguma coisa.
tinha a boca grande, olhos atentos e melancólicos,
mãos finas e no centro do corpo magro, um coração pulsante,
louco pela vida, pelo amor, pelo quentinho daquele abraço,
um conforto no meio desse mundo tão estúpido.
tinha defeitos: o nariz grande, o dedão do pé redondo demais
e aquela intensidade estranha que muitas vezes
a pintava de louca.

4 de mai de 2010

'Repetir mil vezes: não quero esperar.
E a certeza de que esse não querer já traz implícitas as longas caminhadas'
                                                                              
                           Caio F. Abreu