30 de abr de 2010

me quebro todos os dias. vou andando e
ouvindo os caquinhos caírem no chão,
como aquela xícara que você bateu a mão sem
querer e ela se espatifou no chão.
me despedaço, me arranho, que sujo e sangro
todos os dias, mas à noite no sono, nos sonhos
tento me colar, me curar, juntar os pedaços.
às vezes funciona. às vezes não.
hoje não.

21 de abr de 2010

já ando atrás dos meus caderninhos antigos,
só pra saber se te escrevi no meu passado alguma vez.

16 de abr de 2010

'e eu que só me vejo em partes?
 [eu vejo meu reflexo no espelho]
e ele só me vê em partes,
 [me olha torto quando me penteio]'

                                            érika machado,

11 de abr de 2010

ela tinha a sensação que era quase tudo novo.
desde os seus pés até os grãos de areia que se grudavam
no seu sapato velho-novo.
era o coração que respirava todo dia como se fosse novo.
e era.

5 de abr de 2010

Cinco ou seis anos depois estávamos dentro do mesmo espaço.
A gente se sabia li, mas ninguém deu nenhum sorriso e muito menos nenhuma palavra.
E eu só estaria ali pela influência literária que
me foi tão útil nesses cinco ou seis anos.
Tenho certeza que a sensação estranha não foi só a minha.
Os olhares se cruzaram algumas vezes e aquela última frase da nossa
última conversa passeoupela minha cabeça em alguns instantes.
Não pensei em alívio ou qualquer coisa que fosse justificar a
distância que se nasceu depois do amor. Era apenas isso.
Eu fui embora quando ele me jurou amor e não prometi voltar.

E quando voltei era tão tarde que não sobrou nenhum
pouco pra reconstruir qualquer coisa que fosse.
Existiam outras pessoas, outras vidas.
E estávamos ali, cinco ou seis anos depois ouvindo,
vendo e sentindo o texto que fez parte de nós.
E que faz parte de mim agora,
Sem você.

1 de abr de 2010

é tão bom quando a gente desengasga o amor que tem no peito.
o mundo fica mais leve. aquele peso das obrigações vai embora
quando o telefone toca só pra lembrar que tem alguém pensando em você.
(ainda não sei se tem sensação melhor no mundo)
 eu não quero as asas que a vida me deu,
porque quero ficar por muito tempo no teu abraço.