30 de out de 2009

'Escrever me ressuscita. Só morro mesmo de amor.'
                                                    carpinejar,

28 de out de 2009

penso no silêncio.
e quanto mais ele existe mais eu grito por dentro.
grito, mas não faço questão de explicar. não pra todo mundo.
não é todo mundo que pode entender estranhezas e não sair correndo.

é que eu sou meio monstro.
meio ET.
meio alguma coisa que assusta
e não entendo o por quê.

26 de out de 2009

desde pequena que eu tenho paixão pelas frutas
no topo das árvores. subia nas árvores como
se daquilo dependesse a minha vida de criança.
era só achar assim, despercebida, uma fruta lá
em cima, escondida atrás de um galhinho,
folhinha ou alguma coisa do tipo, lá ia eu,
pra que ninguém mais pudesse
pegá-la antes de mim. subia todos os dias,
em cada um deles avançando mais e ficando
mais enamorada da tal fruta.
até que um belo dia chegava perto, tão perto
que não sabia o que fazer com ela: se a deixava lá
pra subir mais outro dia ou se de um impulso estranho
a tirava do pé e guardava dentro do bolso.
como sempre fui atrevida tratava de dar aquele
impulso que talvez me fizesse cair lá embaixo,
mas que me dava aquilo que eu queria: a fruta.
(e era tão feliz, apesar do medo)
hesitava muito pouco antes de estender o braço onde ele
não alcançava, bambeava, quase caía e nessa hora gelava de medo,
mas não desistia. feito tudo isso,
na hora de descer eu ficava horas esperando a hora certa.
( porque eu era habilidosa pra subir,
pra avançar cada dia mais atrás da minha fruta,
mas descer do pé era coisa pra gente maior que eu)
segurava a fruta como se fosse meu coração na mãozinha
tão pequena e nunca pedia ajuda.
podia ralar o pé na casca da árvore, podia escorregar
mais do que o possível, podia ver uma lagarta
daquelas horrendas, mas nunca dizia nada ninguém.
ou era isso ou ouvir que eu era uma menina doida,
que gostava de me arriscar em cima das árvores
por uma simples fruta. que não era uma simples fruta.
era a minha fruta do topo da árvore.
e eu era feliz. até com o pé ralado, afinal de contas
era meu troféu.

25 de out de 2009

Sorte de hoje: A estrada para o verdadeiro amor sempre tem obstáculos

20 de out de 2009

eram três da manhã e o relógio não andava mais.
ficou parado ali até o dia amanhecer e eu entender que
eu não preciso encarar o mundo quando a dor do peito é
maior que meus pés número 37.
ir embora não é bonito. nem corajoso.
é a coisa mais covarde que alguém pode fazer quando ama.
e é mais covarde ainda pedir que o outro vá embora.
corajoso é ficar, mesmo que doa todo santo dia, mesmo
que a dúvida seja cruel e sangre todo dia às cinco da tarde.
eu não quero mais ir embora.
quero quebrar a testa mil vezes na parede da sua casa. quero
morrer abraçada todo fim de noite.
e quero nascer pela manhã achando que isso faz parte da vida
e que assim eu sou mais feliz.

18 de out de 2009

anoitece e o sol não ilumina mais as papoulas amarelas no quintal.
Os olhos dos gatos já brilham, anunciando que a hora da caçada já se aproxima.
A lua cheia já chegou e assim meu corpo entende que é hora de ir embora.
mas há dias já anuncio esse desejo e não sei se é melhor ir de uma vez,
sem deixar recado – ‘tô indo embora, mas amo você’-
ou se a gente deve ir embora aos poucos,
ir sumindo aos pedaços pra quando se desintegrar no ar,
ninguém sinta tanto.

13 de out de 2009

segredo que só meu peito e o teu consome.
entre todas sombras dessas palavras,
quem vai dizer que não?

7 de out de 2009

perdi o tempo parada em frente à estante de livros
tentando adivinhar em qual deles escondi aquela foto
que eu não queria olhar nunca mais.