24 de set de 2009

                                            
borbulhando sentimentos doces / sentimentalismo barato


23 de set de 2009

imagino que deve ser algo grande.
                               grandioso.
 porque me quebra em três pedaços e não quero mais colar
                                                   quero permanecer assim,

        
                               deitada do lado oposto
                                observando o movimento das folhas em frente à porta.
                                sentindo as borboletas fugirem do meu estômago
                                                
                                              (tente mantê-las aqui, por favor)

20 de set de 2009

Deitada em teu colo, observando alguma coisa acontecer entre a sala e cozinha de casa, mas talvez nem ligasse, queria mesmo era que não parasse de fazer o cafuné nos meus cabelos desorganizados. E a gente fica ali, naquela brincadeira de implicar um com outro até que eu seguro teu rosto entre minhas duas mãos e te puxo pra perto dos meus olhos pra dizer o que está preso embaixo da minha língua. Olho nos teus olhos castanhos e você me sorri. quase já sabendo o que eu vou te contar, mas não consigo. (E quando vejo teus olhos brilhando com uma felicidade tão verdadeira é que eu tenho mais certeza de tudo) Levanto e digo: “preciso de um banho” e vou embora.

17 de set de 2009

É meu corpo que anda pedindo. Pedindo alguma coisa que não se identifica que não usa placas nem aviso algum, Mas eu sei que ela existe. E procuro nos livros alguma resposta, nos textos antigos do fundo da gaveta, na sua única carta que ainda guardo, pra ter a certeza de que ainda me sentes, mas não encontro. Nem você, nem resposta alguma e me preparo para simplesmente ir embora, como em todas as vezes que não mais achei respostas dentro de mim.

13 de set de 2009

jaboticabas por dentro dos olhos. e desejos imcompreendidos por debaixo da pele. sementes de jiriquiti guardadas na mão esquerda como um segredo meu. o coqueiro que chove e a luz da catedral que nunca apaga.

12 de set de 2009

Quando acordava no meio da noite com aquele aperto no coração, chegava a achar que aquilo era, na verdade, a certeza da morte desse sentimento tão bonito e chegava a sentir medo. Medo de que viver sem ele fosse pior que do que toda essa confusão-suspensão-da vida-no ar. Não sabia, era verdade, então travava uma luta com o sono pra que tudo isso sumisse. mas não sabia.

6 de set de 2009

ainda é sobre sentir ou não sentir. e tem essa lâmina quente que passa na minha pele de vez em quando me trazendo velhas lembranças. não é como estar viva, é morrer em cada uma delas.
era a maneira mais saudável de se sentir viva.
bomba atômica pra dentro.

1 de set de 2009

Todos os dias acordo e sento na cama e antes de pensar sobre qualquer coisa eu alinho minha coluna e sinto cada pedaço, cada vértebra se movimentando, cada pedaço do meu corpo acordando...Talvez seja porque dormir seja um tipo de morte diária. Morre-se todo dia pra nascer no outro. Nunca achei fácil ter nascido e morrer deve ser bom demais pra quem vai, porque pra quem fica, já sei, não é. Já, já considerei a possibilidade de ir, mas sempre desisti porque sempre penso em quem fica. Mas queria mesmo era falar de outra coisa. Eu prometi nunca na minha vida escrever um blog contando as coisas da minha vida, mas eu não consigo. Eu sempre crio, escrevo e depois ele vai embora. A necessidade de escrever acaba. E depois recomeça. Como agora. Minhas agendas dos últimos dois anos estão limpas. Limpas, porque eu não preciso escrever pra mim. A necessidade é expandir aquilo tudo que passa na minha cabeça durante as 24 horas de cada dia. Talvez eu esteja errada mais uma vez. E cansei de estar errada. De estar certa. De saber algumas coisas. Tem dias que acordo querendo não saber de nada. De só dormir, mas não posso. Dormir não ajuda a crescer. Dormir não ajuda a pagar as contas. Dormir não ajuda a amar. Não ajuda a evoluir. Dormir só ajuda a fugir das responsabilidades dessa vida. Escrever sim, me ajuda a crescer, mesmo que eu não queira mais. Crescer é dolorido, eu sei. E acontece quando a gente menos espera. Que nem o amor. A gente fica eufórico durante uns dias, mas depois os olhos se abrem e a gente percebe que é tudo muito maior. E isso acontece nas piores horas. E acontece agora. Mesmo sem a gente desejar. Mesmo que a gente só queria dormir.