30 de abr de 2009

take me, don't leave me. Vem com cuidado. Fique com vontade. É tudo muito simples aqui dentro, por isso não complica, porque eu quero ser feliz.

23 de abr de 2009

Deu um salto. Talvez já tivesse dado o salto algumas vezes e em todas as vezes a sensação de liberdade no ar foi tão pequena que era como se não existisse o salto, apenas a queda. E que quedas. Mas não pensava mais nisso. Queria mesmo era voar, com todas aquelas possíveis impossibilidades, voar era muito mais apetecedor pra ela. Soltou as amarras há um tempo, quando avistou um céu mais limpo onde podia desfrutar da tal liberdade. Não sabia o nome, nem queria nomear esse céu. Dar nome ao céu talvez fosse limitar tudo que ele podia oferecer. Sendo assim preferia apenas voar e voar. Sem nomes, sem tempo, sem expectativas exageradas. Ela queria voar e voava. E era feliz.

19 de abr de 2009

[ Ela ficou acordada em todo o resto da noite. Doía-lhe o coração porque a manhã não tardaria a separá-los, mas a sua alma estava serena. O homem que repousava a seu lado era, sabia-o, aquele por quem tinha esperado toda a vida, o corpo que lhe pertencia e a quem o seu corpo pertencia, virgem o dele, usado e sujado o dela, mas há que ver que o mundo tinha começado, o que se chama de começar, faz apenas oito dias, e só essa noite é que se achou confirmado, oito dias é nada se compararmos a um futuro por assim dizer intacto, de mais sendo tão novo este Jesus que me apareceu, e eu, Maria Magdala, eu aqui estou, deitada com o homem, como tantas vezes, mas agora perdida de amor e sem idade. ] Saramago, Evangelho Segundo Jesus Cristo

15 de abr de 2009

a mudança significante no meu olhar, essa que tu tanto me fala deve ser a certeza de alguma coisa. mas não se assuste não, que eu ainda sou a mesma.

8 de abr de 2009

Estou indo refrescar os pés na água do mar, quero ter a cabeça vazia quando voltar e coração ainda cheinho de todas as borboletas que moram em mim. Eu estou dizendo Sim.

5 de abr de 2009

É domingo e eu trago dentro de mim saudades antigas. Na verdade, essa saudade nunca me deixou. Mora sempre num cantinho do meu peito e nos dias mais cinzas ela sobe pela garganta e sai em forma de gritos que ninguém pode ouvir. É só minha Vô. Essa saudade dos Domingos em que eu pulava de felicidade só de te ver do outro lado do portão com aquele saco de broa de goma e os pirulitos coloridos. Vontade de te ver e te achar gigante, me agarrar na tua perna e ir andando assim até você sentar na cadeira da sala. Domingos sempre foram festivos, muita comida, visita, pirulitos, afagos e muito amor. Depois de um tempo, mesmo que eu só te visse sentado na cadeira, você pra mim era gigante, forte e mais que tudo, divertidíssimo, mas agora os Domingos eram cheios de cuidados. Ficava encostada na beira da sua rede, ouvindo as coisas que você me dizia, “vô, tá dormindo?” e aí você abria os olhos, mesmo morrendo de sono e me contava histórias. E eu adorava, mas os Domingos não são mais assim, por mais que estejamos todos juntos, por mais que a mesa esteja farta. Eu só queria que hoje, Domingo, você segurasse minha mão como na nossa despedida, em que você dizia: “eu amo você e vai ficar tudo bem”, porque não tô sentindo nada bem, entende? Ninguém me disse que seria fácil, não é fácil, nem vai ser nunca que eu sei. Cresci antes do tempo vô, envelheci vinte anos naquele primeiro de Dezembro. Foi quando eu descobri que a morte era real, que a gente sofre, que meu pai é humano e sofre também, e eu não queria, ninguém quer, eu sei. Eu só queria te ouvir bater no cadeado lá fora e correr pra te abraçar forte, porque hoje eu só precisava do seu abraço, só pra me dizer que essa confusão vai passar.