31 de mar de 2009

tá escuro. e escuto aqueles barulhos. algo bem dentro de mim para por alguns segundos. e falta sangue. falta sangue, eu senti. sem força suficiente pra poder chegar na cabeça, ele apenas se esvai e eu preciso de força, mas descubro que não dá. e ainda falta sangue. sangue. por alguns minutos acho que a morte tá chegando, mas na verdade caio no sono e acordo como que de uma bad trip. teimo e pinto as unhas de paixão. levanto a cabeça e sigo. pelo menos até o próximo.

27 de mar de 2009

hoje eu queria arrancar um pedaço teu, morder várias partes de você, te mastigar e ir te comendo até assimilar você em mim. um dia eu consigo.

25 de mar de 2009

em toda minha vida: terra, mar e ar. não tem tristeza não. não nesse corpo. não nessa alma. não hoje, ontem até que podia ter, mas hoje não. o que mora dentro desse corpo é fome. uma fome de descobrir as coisas que olhos não conseguem enxergar. a fome de saborear amor, de sentir amor e provavelmente de sentir qualquer dor. é uma fome e ela não passa. por isso não desisto.

22 de mar de 2009

Sinto mais ou menos assim quase todo dia: Nada é normal do jeito que eu achava que seria. Nada nunca é. Já disse que somos seres idiotas demais? Natureza estúpida essa nossa: Tudo parece e merece estar bem e não está. Nunca está. Sempre a lacuna imprestável do amor, e que sem ele a gente chega a acreditar que tudo é nada. Ou quase nada.

17 de mar de 2009

Ela estava sentada no banco ao lado do banco que eu estava sentada. eu sentia apenas a brisa mexer nos meu cabelos e aliviar o calor do meio-dia. Ela parecia estar inserida em outra situação. Sorria e abria os lábios como se conversasse com outra pessoa, encaixava uma mão na outra como se alguém estivesse segurando sua mão e sorria levemente quando fazia isso e parecia plenamente feliz, ali sentada no banco, sentindo a mesma brisa que eu sentia e eu tive certeza que ela, cega, enxergava muito mais que eu.

15 de mar de 2009

Ela queria. Esperava há anos pra que esse dia chegasse, mesmo que dissessem que quanto mais se espera, mais demora. Nem se importava. Pra isso tinha gatos, filmes, livros e tantas outras distrações travestidas de alimentos pra alma. Só tinha medo de um dia dormir e não sentir essa tal coisa chegar. E se o frio na barriga fosse mentira? Esperaria por ela.

12 de mar de 2009

chuva lá fora. calor cá dentro.

10 de mar de 2009

gostava mesmo era de olhar pro sol por alguns minutos pra ver se conseguia ver as coisas um pouco mais coloridas. não conseguia. só conseguia ver um pouco distorcida. com o tempo foi assim que as continuaram a ser: distorcidas. não sabia mais se eram realmente distorcidas ou aquilo era efeito da sua visão já ruim, mas era assim que ia vivendo. vendo vultos e amando pessoas sem rosto. não era mais nem menos feliz, ela apenas era.

9 de mar de 2009

duas borboletas pousaram em mim naquela semana que eu te revi,você disse que era sorte. meu espelho colorido quebrou. que será agora? será que aquela passagem de avião vai subir? fácil é viajar nas suposições do que poderia dar errado, mas o manual do "viver-com-consciência-tranquila" me diz que é tudo pré-ocupação com bobagens. As coisas estão bem claras na minha frente e por dentro de mim e acredito que em você também. acredito. por isso, aquele espelho velho, colorido e cheio de energias ruins precisava quebrar, pra acabar de vez com esse sentimento estranho que me come as entranhas. e é tão bom ver um sorriso pra mim depois de um dia de cansaço.

7 de mar de 2009

prometi que ia fazer o melhor, que ia comer direitinho no café da manhã e que ia dormir pouco de tardezinha e até quero caminhar no final da tarde pra compensar a eletricidade no corpo. tudo a partir de outro dia. não achei meu filme preferido dos sábados chuvosos. simplesmente fiquei me olhando no espelho da sala até me certificar que eu estou bem. cozinhei com vontade, comi com fome. agora quero frutas, sucos e cereais. mas a eletricidade não passa e nada mais faz sentido. ou tudo faz muito sentido. é uma paz boa, estranha, como se finalmente depois de tanta confusão eu estivesse com os pés no chão. eu tenho os pés no chão, mas ainda assim consigo voar.

5 de mar de 2009

todos os clichês de uma ruptura, deveria ser. as águas de março acabando com o verão, com o meu verão, e umidade me dando o mofo de presente. nuvens carregadas num céu estranho e aqui por dentro borboletinhas amarelas rondando o umbigo. não entendo mais nada. e deveria fugir, correr, sumir e nem olhar pra trás, mas acho que estou fazendo justamente o contrário. refazendo planos antigos e ao mesmo tempo tão novos. é que de vez em quando eu desejo que esse país seja menor. bem menor.