26 de fev de 2009

têm sido estranho não me reconhecer nas coisas que escrevo. se paro de escrever é como se alguma coisa faltasse, entre os copos de café, uma frase bem dita, um olhar diferente, alguma coisa falta. e se não é escrito, falta mais, porque minha memória já não é a mesma. os anos, as decepções, a memória seletiva, tudo isso não me deixa guardar certas coisas. enquanto isso muitos besouros voam sobre a minha cabeça.

25 de fev de 2009

Está lá. Há mais de três anos, pra ser mais especifica, mas nunca me incomodou tanto quanto agora que a casa está vazia. Continua do mesmo tamanho, no mesmo lugar, do mesmo jeito de quando eu a vi pela primeira vez e jurei limpar no mesmo instante, mas a preguiça foi maior e quando aquele pensamento “é uma sujeirinha à toa” passou pela minha cabeça já tinha desistido e fui cuidar de outras coisas, mas não pense que eu nunca limpei a casa de novo, limpei sim, mas sempre pensava em deixá-la lá, afinal uma “manchinha boba” que já passou por tantas coisas comigo. Lembra de quando você me esqueceu trancada dentro de casa e passou o dia fora? Pois então, eu lembro que chorei muito deitada no chão da sala, ouvindo qualquer coisa que me doesse por dentro e isso podia ficar entre Chico Buarque e umas dessas duplas sertanejas que pegam a gente se surpresa numa dor de cotovelo qualquer... sim, me lembro bem que, deitada no chão da sala vi aquela mancha ali, solitária e esquecida, parecidíssima comigo. Juro que mais uma vez naquela ocasião lembrei de limpá-la, mas não consegui. Nunca consegui. Já disse, ela passou por muitas coisas comigo. Sim, aquela sujeirinha de nada me fez pensar muito mais na minha existência do que você ou qualquer das pessoas que já amei nessa vida. Ah, essa manchinha. E estou de novo aqui, deitada no chão da sala, mas dessa vez vazia de qualquer sentimento que me leve até a dor de estar aqui sozinha. Eu e essa sujeirinha boba.

21 de fev de 2009

tenha essa saudade já rouca de gritar por ti nos sonhos. e que eu não consigo mais ignorar. essa vontade de te contar as coisas que acontecem por agora. dos caminhos que decidi traçar num papel em branco e que tu adoraria rabiscar pra me deixar perdida, eu sei. ia te achar chato e ignorar teus enjôos, porque no final das contas gosto de te ouvir reclamar das minhas coisas imprevisíveis. sou assim, eu diria, mas no final das contas não era por isso que tu me amava?

16 de fev de 2009

quando soube que o adeus era inevitável um arrepio me subiu pela espinha. engoli seco e respirei fundo, prevendo lágrimas. a partir daí qualquer coisa seria uma despedida. da música no fone de ouvido ao olhar das pessoas na rua. e era dificil até cruzar meu olhar com o teu. medo. de olhar e sentir falta antecipada. de sentir náusea diante de tamanha beleza e do sentimento que carrego e já não quero mais carregar, não consigo mais. daí quero achar que tá tudo certo e não consigo porque de todas as músicas do mundo o homem vai cantar logo aquela, aquela da última despedida, aquela das lágrimas mais ácidas e mais doloridas. aquela. pra quê né? entre o não conseguir acreditar e qualquer outra coisa, eu fiquei com qualquer outra coisa que era congelar na cadeira e quebrar em micropedacinhos tentando imaginar o que estava passando no corpo ao lado. que lembranças essa música te traz? o que te faz sentir? pra mim nem sei mais. era vontade de sair correndo e voar.
E eu soube que quem sempre vai embora sou eu.

15 de fev de 2009

azul quase morto. era a cor daquela hora. amarelo brilhante quase morrendo também era a cor da única nuvem no céu de Domingo. era quase tudo muito hostil aqui por dentro, só por dentro. Era a saudade dela e dessa impossbilidade filhadaputa de vê-la crescer perto de mim. Jamais verei isso, minha imaginação não trabalha assim e essa dor que bate no meu coração e se espalha pelo sangue como veneno não vai acabar com esse dia azul e amarelo.

12 de fev de 2009

Tenho sobre mim, provavelmente, uma opinião oposta de quem me olha nos olhos. Penso que os traços juvenis passem a idéia de inocência, mas por dentro sinto como se tivesse vivido uma vida inteira. Talvez pela vontade tão latente de viver e experimentar o mundo, marca que me acompanha desde o berçário e aprimorada na educação em casa. Devo carregar defeitos e qualidades como todo ser humano na terra, mas tenho consciência da necessidade de ser uma boa pessoa, respeitar opiniões, diferenças, etc. Acredito também que a timidez atrapalha um pouco, falo baixo, desvio olhar, mas tudo é uma questão de treino. muito treino. Ou te tempo. Penso agora se escrever é cortar palavras, viver é como uma colcha de retalhos, das experiências, lembranças de infância, família, dos amores que tivemos, das tristezas que choramos, dos livros lidos, não-lidos...enfim. Somos todos um mundo. Sou um mundo. Uma menina mundo. Uma simples colcha de retalhos.

10 de fev de 2009

Veio me visitar na noite mais quente dos últimos meses e ainda assim parecia tudo muito frio, porque tu me cobriu com o edredom e me abraçou como se o mundo estivesse congelando. e mesmo se estivesse, eu queria morrer daquele jeito. abraçada em você, me sentindo segura e quente. e nem parace que não te vejo há mais de cinco anos, porque eu realmente sinto você comigo.

8 de fev de 2009

E sinto tudo que não deveria sentir.
numa noite de domingo, mesmo pensando estar de braços abertos pro que der e vier,
não estou.
Eu quero mais.

3 de fev de 2009

observo o quanto ela tá apaixonada. e quanto ela gosta dele e me sinto um pequeno grão de areia nesse mundo de gostar. porque ela transpira esse querer todo. e eu me sinto egoísta de tanto querer falar do meu amor estranho.

2 de fev de 2009

E se me estranho tanto na tua ausência é porque quando um sms cruza a cidade pra me dizer que vai sentir minha falta é como se me quebrasse o corpo magro em dois pedaços. impossível de juntar novamente.
Essa vontade de te contar essas coisas tão comuns é porque eu quero dizer que esse é meu jeito de te gostar.
meu coração hoje pareceu uma escola de samba e eu imaginei que todo mundo ao meu redor deveria estar escutando as batidas secas no meu peito.