5 de abr de 2009

É domingo e eu trago dentro de mim saudades antigas. Na verdade, essa saudade nunca me deixou. Mora sempre num cantinho do meu peito e nos dias mais cinzas ela sobe pela garganta e sai em forma de gritos que ninguém pode ouvir. É só minha Vô. Essa saudade dos Domingos em que eu pulava de felicidade só de te ver do outro lado do portão com aquele saco de broa de goma e os pirulitos coloridos. Vontade de te ver e te achar gigante, me agarrar na tua perna e ir andando assim até você sentar na cadeira da sala. Domingos sempre foram festivos, muita comida, visita, pirulitos, afagos e muito amor. Depois de um tempo, mesmo que eu só te visse sentado na cadeira, você pra mim era gigante, forte e mais que tudo, divertidíssimo, mas agora os Domingos eram cheios de cuidados. Ficava encostada na beira da sua rede, ouvindo as coisas que você me dizia, “vô, tá dormindo?” e aí você abria os olhos, mesmo morrendo de sono e me contava histórias. E eu adorava, mas os Domingos não são mais assim, por mais que estejamos todos juntos, por mais que a mesa esteja farta. Eu só queria que hoje, Domingo, você segurasse minha mão como na nossa despedida, em que você dizia: “eu amo você e vai ficar tudo bem”, porque não tô sentindo nada bem, entende? Ninguém me disse que seria fácil, não é fácil, nem vai ser nunca que eu sei. Cresci antes do tempo vô, envelheci vinte anos naquele primeiro de Dezembro. Foi quando eu descobri que a morte era real, que a gente sofre, que meu pai é humano e sofre também, e eu não queria, ninguém quer, eu sei. Eu só queria te ouvir bater no cadeado lá fora e correr pra te abraçar forte, porque hoje eu só precisava do seu abraço, só pra me dizer que essa confusão vai passar.

8 comentários:

Felipe Attie disse...

Essa confusão vai passar. Ela sempre passa. Graças a isso que estamos vivos.

Niña disse...

Nossa Diana,lendo seu texto,lembrei da minha avó... e pensei em como essa mesma saudade me aflige em alguns momentos, mas a tenho(minha avó) no meu interior, e isso é forte demais pra ser retirado.

Ni ... disse...

Este teu cantinho me fez viajar..
Com certeza voltarei...

Aspásia Mariana disse...

saudade é uma ausência presente.

Valdir disse...

Ma vovó sempre deixa muitas saudades, quem não teve avó curuja, muito bom mesmo.

Isa disse...

Ow...
sempre lembro do meu avô, e sinto saudades de como a vida era antes dele partir...

Kuriozza disse...

De certa forma, a saudade e as lembranças nos aproximam mais daqueles que amamos..

NiNah disse...

Nem fala em vó que deu saudade da minha. Ela era um barato.
É bom recordar vez em quando.
Bjo