31 de dez de 2009

00:01


essa era a hora que o relógio marcava.
a hora mais estranha do mundo.
mais um ano chegando.
iupi!

30 de dez de 2009

eu não quero nem saber.
preciso não saber e me escondo.
vou entrar nas ilhas desconhecidas como
uma criança fugitiva.
ninguém me verá.
então, desaparecerei.

25 de dez de 2009

a gente sobrevive muito bem se.

19 de dez de 2009

sinto as pernas bambearem por algumas horas.
a carne treme intensamente. a cabeça pensa em tudo ao mesmo tempo.
não estou em mim.
não sou eu mesma.
talvez seja uma outra menina,
uma outra alma solitária encostada na minha.

ainda estou deitada olhando pro teto
o mesmo teto de sempre.

i'm a assassin and i had a job to do.

16 de dez de 2009


11 de dez de 2009

Quando não tenho tempo me acho mais burra.
Mais estranha e mais sozinha.
Não ter tempo é muito bom.
A cabeça funciona melhor.
O coração não perde o ritmo, mas quero ter tempo também
pra dedicar às pessoas que eu amo.
Quero ter tempo de sentar no sofá e rir dos
programas de TV com minha mãe. Quero ter tempo de ir num
domingo comprar o jornal com meu pai.
Quero ter tempo de passear sábado à tarde
com um amigo que não vejo há tempos, por causa do tempo.
Quero ter tempo de viajar. Descobrir uma coisa nova em algum livro.
Quero ter tempo de sentar no quintal,
comer uma manga que nem quando eu era criança.
Não sou mais criança, mas quero ter tempo pra ser criança.
O tempo é a gente que inventa e é a gente que dá,
mas eu desaprendi a fazer.

9 de dez de 2009

Detesto aviões.
Eles me lembram a brevidade da vida
e o quanto a gente perde tempo
tendo medo e deixando de ser feliz.

3 de dez de 2009

aprendendo a respirar.


29 de nov de 2009

pulou e girou durante a música inteira.
há muito não fazia isso: girar até ficar tonta.
'era coisa de criança', diriam. e daí?
era a música. era  aquela felicidadezinha que nascia entre os dentes.
era muita coisa. pouca coisa.
era coisa boa. era semente dentro do peito,
que ela cuspia em forma de jujuba.
amor, meu bem.

27 de nov de 2009

Ele sempre viaja quando eu preciso que ele fique.

26 de nov de 2009

Dizem que todas essas coisas que me abalam numa terça
feira é coisa de 'gente de aquário'.
Existe explicação mais sem sentido, por favor?
Acho que é coisa de gente. Gente tipo normal.
Que fica triste quando deveria ficar feliz.

Pode ser inferno astral.

23 de nov de 2009

coração da gente só fica direitinho quando transborda.

19 de nov de 2009

o vento frio que caminha sobre meus poros
vem avisar que o tempo vai mudar.
as formigas com asas entram na sala e fazem muito barulho
só pra me dizer que a hora já está chegando.
e por dentro sinto muitas flores nascendo e crescendo.
e não importa o inverno ou verão, é sempre primavera aqui dentro.

16 de nov de 2009

um pouco cansada, mas passa.

(isso explica a ausência)

14 de nov de 2009

saiu com aquele olhar.
nem mágico nem bonito.
era calmo, talvez.
vestiu a melhor versão de si mesma e foi.
desejou inutilmente  não-estar. e estava.
corpo e mente completamente separados,
reencontrou pessoas. manteve distância do novo.
fingia lindamente que a sua vida era normal.
não se despediu e foi embora em absoluto silêncio.

eleanor rigby a entenderia.

9 de nov de 2009

'quem não tem amor no mundo não vem neste lugar
quem não vê azul profundo não tem mais pra onde olhar
quem tem medo traz no peito o óbulo da precaução
eu trago um anjo nos braços e ouro no coração'

                                        santorini blues,



revolução de verdade pra mim é abrir o peito na direção dos canhões.
ter medo, muito medo, mas mesmo assim não desistir.

5 de nov de 2009

tenho um jeito muito atropelado de amar.
sou desajeitada com o mundo.
tropeço sozinha e me machuco sem saber como.
talvez meu jeito de amar também seja desajeitado,
não sou boa com as palavras e tenho pressa.
ainda bem que ninguém é perfeito,
mas coração, eu sei, é doce.

1 de nov de 2009

andando no meio-fio. tenho oito anos
e sonho em ser equilibrista. em cima de
um cabo de aço. pendendo de um lado pro outro.
podendo cair ou não.
frio na barriga e no peito uma vontade
incontrolável de voar.

30 de out de 2009

'Escrever me ressuscita. Só morro mesmo de amor.'
                                                    carpinejar,

28 de out de 2009

penso no silêncio.
e quanto mais ele existe mais eu grito por dentro.
grito, mas não faço questão de explicar. não pra todo mundo.
não é todo mundo que pode entender estranhezas e não sair correndo.

é que eu sou meio monstro.
meio ET.
meio alguma coisa que assusta
e não entendo o por quê.

26 de out de 2009

desde pequena que eu tenho paixão pelas frutas
no topo das árvores. subia nas árvores como
se daquilo dependesse a minha vida de criança.
era só achar assim, despercebida, uma fruta lá
em cima, escondida atrás de um galhinho,
folhinha ou alguma coisa do tipo, lá ia eu,
pra que ninguém mais pudesse
pegá-la antes de mim. subia todos os dias,
em cada um deles avançando mais e ficando
mais enamorada da tal fruta.
até que um belo dia chegava perto, tão perto
que não sabia o que fazer com ela: se a deixava lá
pra subir mais outro dia ou se de um impulso estranho
a tirava do pé e guardava dentro do bolso.
como sempre fui atrevida tratava de dar aquele
impulso que talvez me fizesse cair lá embaixo,
mas que me dava aquilo que eu queria: a fruta.
(e era tão feliz, apesar do medo)
hesitava muito pouco antes de estender o braço onde ele
não alcançava, bambeava, quase caía e nessa hora gelava de medo,
mas não desistia. feito tudo isso,
na hora de descer eu ficava horas esperando a hora certa.
( porque eu era habilidosa pra subir,
pra avançar cada dia mais atrás da minha fruta,
mas descer do pé era coisa pra gente maior que eu)
segurava a fruta como se fosse meu coração na mãozinha
tão pequena e nunca pedia ajuda.
podia ralar o pé na casca da árvore, podia escorregar
mais do que o possível, podia ver uma lagarta
daquelas horrendas, mas nunca dizia nada ninguém.
ou era isso ou ouvir que eu era uma menina doida,
que gostava de me arriscar em cima das árvores
por uma simples fruta. que não era uma simples fruta.
era a minha fruta do topo da árvore.
e eu era feliz. até com o pé ralado, afinal de contas
era meu troféu.

25 de out de 2009

Sorte de hoje: A estrada para o verdadeiro amor sempre tem obstáculos

20 de out de 2009

eram três da manhã e o relógio não andava mais.
ficou parado ali até o dia amanhecer e eu entender que
eu não preciso encarar o mundo quando a dor do peito é
maior que meus pés número 37.
ir embora não é bonito. nem corajoso.
é a coisa mais covarde que alguém pode fazer quando ama.
e é mais covarde ainda pedir que o outro vá embora.
corajoso é ficar, mesmo que doa todo santo dia, mesmo
que a dúvida seja cruel e sangre todo dia às cinco da tarde.
eu não quero mais ir embora.
quero quebrar a testa mil vezes na parede da sua casa. quero
morrer abraçada todo fim de noite.
e quero nascer pela manhã achando que isso faz parte da vida
e que assim eu sou mais feliz.

18 de out de 2009

anoitece e o sol não ilumina mais as papoulas amarelas no quintal.
Os olhos dos gatos já brilham, anunciando que a hora da caçada já se aproxima.
A lua cheia já chegou e assim meu corpo entende que é hora de ir embora.
mas há dias já anuncio esse desejo e não sei se é melhor ir de uma vez,
sem deixar recado – ‘tô indo embora, mas amo você’-
ou se a gente deve ir embora aos poucos,
ir sumindo aos pedaços pra quando se desintegrar no ar,
ninguém sinta tanto.

13 de out de 2009

segredo que só meu peito e o teu consome.
entre todas sombras dessas palavras,
quem vai dizer que não?

7 de out de 2009

perdi o tempo parada em frente à estante de livros
tentando adivinhar em qual deles escondi aquela foto
que eu não queria olhar nunca mais.

24 de set de 2009

                                            
borbulhando sentimentos doces / sentimentalismo barato


23 de set de 2009

imagino que deve ser algo grande.
                               grandioso.
 porque me quebra em três pedaços e não quero mais colar
                                                   quero permanecer assim,

        
                               deitada do lado oposto
                                observando o movimento das folhas em frente à porta.
                                sentindo as borboletas fugirem do meu estômago
                                                
                                              (tente mantê-las aqui, por favor)

20 de set de 2009

Deitada em teu colo, observando alguma coisa acontecer entre a sala e cozinha de casa, mas talvez nem ligasse, queria mesmo era que não parasse de fazer o cafuné nos meus cabelos desorganizados. E a gente fica ali, naquela brincadeira de implicar um com outro até que eu seguro teu rosto entre minhas duas mãos e te puxo pra perto dos meus olhos pra dizer o que está preso embaixo da minha língua. Olho nos teus olhos castanhos e você me sorri. quase já sabendo o que eu vou te contar, mas não consigo. (E quando vejo teus olhos brilhando com uma felicidade tão verdadeira é que eu tenho mais certeza de tudo) Levanto e digo: “preciso de um banho” e vou embora.

17 de set de 2009

É meu corpo que anda pedindo. Pedindo alguma coisa que não se identifica que não usa placas nem aviso algum, Mas eu sei que ela existe. E procuro nos livros alguma resposta, nos textos antigos do fundo da gaveta, na sua única carta que ainda guardo, pra ter a certeza de que ainda me sentes, mas não encontro. Nem você, nem resposta alguma e me preparo para simplesmente ir embora, como em todas as vezes que não mais achei respostas dentro de mim.

13 de set de 2009

jaboticabas por dentro dos olhos. e desejos imcompreendidos por debaixo da pele. sementes de jiriquiti guardadas na mão esquerda como um segredo meu. o coqueiro que chove e a luz da catedral que nunca apaga.

12 de set de 2009

Quando acordava no meio da noite com aquele aperto no coração, chegava a achar que aquilo era, na verdade, a certeza da morte desse sentimento tão bonito e chegava a sentir medo. Medo de que viver sem ele fosse pior que do que toda essa confusão-suspensão-da vida-no ar. Não sabia, era verdade, então travava uma luta com o sono pra que tudo isso sumisse. mas não sabia.

6 de set de 2009

ainda é sobre sentir ou não sentir. e tem essa lâmina quente que passa na minha pele de vez em quando me trazendo velhas lembranças. não é como estar viva, é morrer em cada uma delas.
era a maneira mais saudável de se sentir viva.
bomba atômica pra dentro.

1 de set de 2009

Todos os dias acordo e sento na cama e antes de pensar sobre qualquer coisa eu alinho minha coluna e sinto cada pedaço, cada vértebra se movimentando, cada pedaço do meu corpo acordando...Talvez seja porque dormir seja um tipo de morte diária. Morre-se todo dia pra nascer no outro. Nunca achei fácil ter nascido e morrer deve ser bom demais pra quem vai, porque pra quem fica, já sei, não é. Já, já considerei a possibilidade de ir, mas sempre desisti porque sempre penso em quem fica. Mas queria mesmo era falar de outra coisa. Eu prometi nunca na minha vida escrever um blog contando as coisas da minha vida, mas eu não consigo. Eu sempre crio, escrevo e depois ele vai embora. A necessidade de escrever acaba. E depois recomeça. Como agora. Minhas agendas dos últimos dois anos estão limpas. Limpas, porque eu não preciso escrever pra mim. A necessidade é expandir aquilo tudo que passa na minha cabeça durante as 24 horas de cada dia. Talvez eu esteja errada mais uma vez. E cansei de estar errada. De estar certa. De saber algumas coisas. Tem dias que acordo querendo não saber de nada. De só dormir, mas não posso. Dormir não ajuda a crescer. Dormir não ajuda a pagar as contas. Dormir não ajuda a amar. Não ajuda a evoluir. Dormir só ajuda a fugir das responsabilidades dessa vida. Escrever sim, me ajuda a crescer, mesmo que eu não queira mais. Crescer é dolorido, eu sei. E acontece quando a gente menos espera. Que nem o amor. A gente fica eufórico durante uns dias, mas depois os olhos se abrem e a gente percebe que é tudo muito maior. E isso acontece nas piores horas. E acontece agora. Mesmo sem a gente desejar. Mesmo que a gente só queria dormir.

23 de ago de 2009

Tem uma menina, sabe? Que em dias de muito frio acorda cansada da vida, cansada de carregar tantas cicatrizes no ventre (é lá que as cicatrizes dos amores antigos aparecem nessa menina) Uns amores tão perdidos hoje dentro dela, mas que já foram coisas quentes e aconchegantes, apesar de doloridos. (sempre assim) E é essa dor que essa menina se nega a carregar de novo por dentro, porque essa dor é mais pesada e mais viva que qualquer cicatriz e sangra nos dias frios.
tinha uma criação de duzentas e oitenta e cinco borboletas na barriga, mas uma a uma elas vão fugindo. e dói.

16 de ago de 2009

insistir. se deve insistir muito quando há amor. mesmo quando dói. e quando não dói. porque desistir é covardia "e arduamente não desistimos"
não consigo respirar

14 de ago de 2009

tinha a nítida sensação de estar dormindo e ao mesmo tempo acordada. (sonho?) Sabia-se viva.

1 de ago de 2009

Saudade: acordar com teu bomdia preguiçoso. me mudar pra debaixo do teu cobertor pra poder passar o frio. tentar te jogar fora da cama pra gente viver lá fora. descobrir que viver ali dentro era melhor que o mundo lá fora. ficar olhando teu sorriso que eu adoro e cutucar cada sinal no teu corpo que eu também adoro.

15 de jul de 2009

"em paz na tempestade" - existe?

9 de jul de 2009

tem um coisa que me pega todo dia quase no mesmo horário: incerteza. não sei se seremos coisas grandes ou avencas na vida um do outro. nem quero ser grandiosa, quero só ser sua. e quero você assim, meu.

26 de jun de 2009

tenho a tua manha debaixo dos meus cabelos, porque guardo o cheiro da tua pele por debaixo de mim. e só posso dizer que desconheço tudo que ando sentindo, essa paz estranha de estar enfim ao teu lado e essa angustia nas madrugadas em que não sei o que fazer. então, respiro ao teu lado e me parece suficiente.

13 de jun de 2009

Deve existir um código de condutas entre as pessoas. Isso se chama “bons modos”? . Mas é que cada vez mais meu coração diminui o ritmo. Cada uma dessas coisas me faz te ver com outros olhos. Às vezes nem te vejo mais. E não quero sentir nenhum frio na barriga. De vez em quando eu queria achar que sim. Que eu quero e que tô aí, E me dou conta de que não saí nem de dentro de mim mesma. Não sou nada disso que dizem. Nada. Ainda não encontrei respostas pra isso. Só sei que. . Eu desisto.

7 de jun de 2009

just walk.

2 de jun de 2009

Sabe que ultimamente tenho acordado com uma estranha leveza sob a pele e acho que tudo é resultado do exercício de tentar viver calmamente dia por dia. era só aquietar o juizo, tentar sentir o que cada dia me proporciona. e você me acha estranha por conseguir ser feliz ao lavar as roupas e os pratos sujos na pia. Eu sou, fazer o quê? mas sou mais estranha quando acorda dengosa, desejando abrir os olhos e já te ter do lado pra sentir o teu cheiro mais perto. Andei ensaiando textos que eu quero te falar quando te olhar nos olhos, mas sei que quando isso acontecer só vou conseguir sorrir e te abraçar como há tempos eu desejo. E você me perguntou se eu tenho medo. Eu digo bem baixinho que tenho sim, mas digo baixo pro meu coração não ouvir e me fazer desistir. medo eu tenho, mas é tarde demais pra pensar nisso. Eu tenho muito mais é coragem pra amar.

30 de mai de 2009

Eu sempre acho que o amor vai nos matar. Vai esperar o momento do sono cansado pra enfiar aquele punhal gelado em nossas carnes quentes. (que carnes quentes, meu amor!)

27 de mai de 2009

Foram os dias mais chuvosos de todos os tempos e não me pareceu que seria o fim do mundo. Ou o fim de qualquer coisa. Nem sequer começo. E confesso, foi apenas curioso estar ali tão perto e ao mesmo tempo, longe léguas. Exatamente 2.528 Km. Não tinha orgulho. Nem medo. Era só a sensação de que um dia já foi alguma coisa. Ou de que um dia não foi lá essas coisas todas. Só você que teve medo de não ser assim. Eu nem sei como é, então como eu vou eu vou te dizer? só sei.

20 de mai de 2009

A gente prometeu não casar antes dos nossos vinte anos. Nem dos trinta. Talvez dos quarenta, mas ele acha que daqui a dez anos eu vou ter meus cinco filhos e morar na casa grande cheia de bichos pra cuidar. E eu acho que as expectativas foram criadas pra não serem atendidas. Sim, porque se fosse tudo muito certinho não ia ter graça. A gente tem que se acostumar com isso.
Ananda me disse: o futuro é o futuro.
E eu ainda tento aprender isso.

17 de mai de 2009

Quando eu brigo e digo que você não pode desistir, é porque não quero mais ver ninguém desistindo do amor. Ou da possibilidade do amor, que na verdade, pode ser amor. Ou não. Tudo é fifty-fifty e eu prefiro assim do que ter zero por cento de chance de qualquer coisa bonita. E vai ser sempre desse jeito, porque a gente nunca tem certeza de nada, acredite nisso, quem tem certeza de tudo é besta, digologo. O bom mesmo é essa sensação de estar num barco em alto mar, esse frio na barriga, esse medo constante de morrer e a esperança acesa de tanto querer viver, aí a gente desce numa praia deserta, senta na beirinha d’água e simplesmente sente que é muito bom viver. Eu ainda acho que é mais válido passar por tempestades do que ficar esperando os dias passarem por falta de ter algo mais interessante pra viver. Eu só queria que você não desistisse dessa vez, não dessa vez.

14 de mai de 2009

Sobre a distância
Te trago no solado das minhas botas e te derramo em pequenos pedaços por onde ando, E em cada grão teu que eu deixo cair nasce uma gota da saudade das tuas ruas, das tuas luzes que tanto gostava de observar. Te trago no peito também, confesso. E cada palavra que derramo é uma vontade de tornar meus desejos realidade: caminhar pelas madrugadas silenciosas nas tuas ruas. Ter medo e mesmo assim continuar, porque sei que me acolhes a cada amanhecer. E mesmo que eu vá embora, sei que quando voltar, teu porto vai me receber de braços abertos.

13 de mai de 2009

De vez em quando dá pra pensar que está tudo no lugar errado. O sol nem brilha mais tanto. A chuva também não é mais tão bonita. Aquele ventinho frio que entra pela janela às 06:26 já chega a dar nos nervos e antes só me dava prazer. Ainda me dá prazer, mas é diferente. Talvez menos, talvez mais. A verdade é que não consigo mais medir nada do que passa pelo sangue. Só sei que ainda sinto enjôo com o balanço do ônibus pela manhã e que não me sinto muito feliz com isso. Nem triste. Só sinto, mas quando deito na cama e sinto cada parte do meu corpo quase em ebulição descubro que essa coisa sem nome é uma paz que anda por aqui muito pouco e por isso quase não consigo medir e chego a achar estranho, mas na verdade não é.

9 de mai de 2009

Tem sempre um baque e eu sempre acho que tentar dissolver essa angústia só piora. fica tudo mais turvo, mas eu só descubro no dia seguinte, quando eu abro o olho e descubro que tô numa cama enorme, mas que meu coração continua do tamanho da cabeça dum alfinete.

5 de mai de 2009

E penso se isso acontece mesmo, naturalmente, sabe? se as pessoas são mesmo adeptas de praticar algum tipo de perdão. Que nem a teoria de que sempre acontece algo estranho quando a gente senta naquela calçada pra sentir o vento antes de sentar no sofá e observar a catedral iluminada. E foi uma noite boa, mas que teve efeito imediato nos dois dias seguintes. Desencontros. Sono perdido. Olheiras e uma noite mal dormida que resultou num domingo estranho e quase normal, onde quase descobri o mundo todo pela tela da TV. Alguém me salve dessa vida estranha, que eu quero ser amada.

30 de abr de 2009

take me, don't leave me. Vem com cuidado. Fique com vontade. É tudo muito simples aqui dentro, por isso não complica, porque eu quero ser feliz.

23 de abr de 2009

Deu um salto. Talvez já tivesse dado o salto algumas vezes e em todas as vezes a sensação de liberdade no ar foi tão pequena que era como se não existisse o salto, apenas a queda. E que quedas. Mas não pensava mais nisso. Queria mesmo era voar, com todas aquelas possíveis impossibilidades, voar era muito mais apetecedor pra ela. Soltou as amarras há um tempo, quando avistou um céu mais limpo onde podia desfrutar da tal liberdade. Não sabia o nome, nem queria nomear esse céu. Dar nome ao céu talvez fosse limitar tudo que ele podia oferecer. Sendo assim preferia apenas voar e voar. Sem nomes, sem tempo, sem expectativas exageradas. Ela queria voar e voava. E era feliz.

19 de abr de 2009

[ Ela ficou acordada em todo o resto da noite. Doía-lhe o coração porque a manhã não tardaria a separá-los, mas a sua alma estava serena. O homem que repousava a seu lado era, sabia-o, aquele por quem tinha esperado toda a vida, o corpo que lhe pertencia e a quem o seu corpo pertencia, virgem o dele, usado e sujado o dela, mas há que ver que o mundo tinha começado, o que se chama de começar, faz apenas oito dias, e só essa noite é que se achou confirmado, oito dias é nada se compararmos a um futuro por assim dizer intacto, de mais sendo tão novo este Jesus que me apareceu, e eu, Maria Magdala, eu aqui estou, deitada com o homem, como tantas vezes, mas agora perdida de amor e sem idade. ] Saramago, Evangelho Segundo Jesus Cristo

15 de abr de 2009

a mudança significante no meu olhar, essa que tu tanto me fala deve ser a certeza de alguma coisa. mas não se assuste não, que eu ainda sou a mesma.

8 de abr de 2009

Estou indo refrescar os pés na água do mar, quero ter a cabeça vazia quando voltar e coração ainda cheinho de todas as borboletas que moram em mim. Eu estou dizendo Sim.

5 de abr de 2009

É domingo e eu trago dentro de mim saudades antigas. Na verdade, essa saudade nunca me deixou. Mora sempre num cantinho do meu peito e nos dias mais cinzas ela sobe pela garganta e sai em forma de gritos que ninguém pode ouvir. É só minha Vô. Essa saudade dos Domingos em que eu pulava de felicidade só de te ver do outro lado do portão com aquele saco de broa de goma e os pirulitos coloridos. Vontade de te ver e te achar gigante, me agarrar na tua perna e ir andando assim até você sentar na cadeira da sala. Domingos sempre foram festivos, muita comida, visita, pirulitos, afagos e muito amor. Depois de um tempo, mesmo que eu só te visse sentado na cadeira, você pra mim era gigante, forte e mais que tudo, divertidíssimo, mas agora os Domingos eram cheios de cuidados. Ficava encostada na beira da sua rede, ouvindo as coisas que você me dizia, “vô, tá dormindo?” e aí você abria os olhos, mesmo morrendo de sono e me contava histórias. E eu adorava, mas os Domingos não são mais assim, por mais que estejamos todos juntos, por mais que a mesa esteja farta. Eu só queria que hoje, Domingo, você segurasse minha mão como na nossa despedida, em que você dizia: “eu amo você e vai ficar tudo bem”, porque não tô sentindo nada bem, entende? Ninguém me disse que seria fácil, não é fácil, nem vai ser nunca que eu sei. Cresci antes do tempo vô, envelheci vinte anos naquele primeiro de Dezembro. Foi quando eu descobri que a morte era real, que a gente sofre, que meu pai é humano e sofre também, e eu não queria, ninguém quer, eu sei. Eu só queria te ouvir bater no cadeado lá fora e correr pra te abraçar forte, porque hoje eu só precisava do seu abraço, só pra me dizer que essa confusão vai passar.

31 de mar de 2009

tá escuro. e escuto aqueles barulhos. algo bem dentro de mim para por alguns segundos. e falta sangue. falta sangue, eu senti. sem força suficiente pra poder chegar na cabeça, ele apenas se esvai e eu preciso de força, mas descubro que não dá. e ainda falta sangue. sangue. por alguns minutos acho que a morte tá chegando, mas na verdade caio no sono e acordo como que de uma bad trip. teimo e pinto as unhas de paixão. levanto a cabeça e sigo. pelo menos até o próximo.

27 de mar de 2009

hoje eu queria arrancar um pedaço teu, morder várias partes de você, te mastigar e ir te comendo até assimilar você em mim. um dia eu consigo.

25 de mar de 2009

em toda minha vida: terra, mar e ar. não tem tristeza não. não nesse corpo. não nessa alma. não hoje, ontem até que podia ter, mas hoje não. o que mora dentro desse corpo é fome. uma fome de descobrir as coisas que olhos não conseguem enxergar. a fome de saborear amor, de sentir amor e provavelmente de sentir qualquer dor. é uma fome e ela não passa. por isso não desisto.

22 de mar de 2009

Sinto mais ou menos assim quase todo dia: Nada é normal do jeito que eu achava que seria. Nada nunca é. Já disse que somos seres idiotas demais? Natureza estúpida essa nossa: Tudo parece e merece estar bem e não está. Nunca está. Sempre a lacuna imprestável do amor, e que sem ele a gente chega a acreditar que tudo é nada. Ou quase nada.

17 de mar de 2009

Ela estava sentada no banco ao lado do banco que eu estava sentada. eu sentia apenas a brisa mexer nos meu cabelos e aliviar o calor do meio-dia. Ela parecia estar inserida em outra situação. Sorria e abria os lábios como se conversasse com outra pessoa, encaixava uma mão na outra como se alguém estivesse segurando sua mão e sorria levemente quando fazia isso e parecia plenamente feliz, ali sentada no banco, sentindo a mesma brisa que eu sentia e eu tive certeza que ela, cega, enxergava muito mais que eu.

15 de mar de 2009

Ela queria. Esperava há anos pra que esse dia chegasse, mesmo que dissessem que quanto mais se espera, mais demora. Nem se importava. Pra isso tinha gatos, filmes, livros e tantas outras distrações travestidas de alimentos pra alma. Só tinha medo de um dia dormir e não sentir essa tal coisa chegar. E se o frio na barriga fosse mentira? Esperaria por ela.

12 de mar de 2009

chuva lá fora. calor cá dentro.

10 de mar de 2009

gostava mesmo era de olhar pro sol por alguns minutos pra ver se conseguia ver as coisas um pouco mais coloridas. não conseguia. só conseguia ver um pouco distorcida. com o tempo foi assim que as continuaram a ser: distorcidas. não sabia mais se eram realmente distorcidas ou aquilo era efeito da sua visão já ruim, mas era assim que ia vivendo. vendo vultos e amando pessoas sem rosto. não era mais nem menos feliz, ela apenas era.

9 de mar de 2009

duas borboletas pousaram em mim naquela semana que eu te revi,você disse que era sorte. meu espelho colorido quebrou. que será agora? será que aquela passagem de avião vai subir? fácil é viajar nas suposições do que poderia dar errado, mas o manual do "viver-com-consciência-tranquila" me diz que é tudo pré-ocupação com bobagens. As coisas estão bem claras na minha frente e por dentro de mim e acredito que em você também. acredito. por isso, aquele espelho velho, colorido e cheio de energias ruins precisava quebrar, pra acabar de vez com esse sentimento estranho que me come as entranhas. e é tão bom ver um sorriso pra mim depois de um dia de cansaço.

7 de mar de 2009

prometi que ia fazer o melhor, que ia comer direitinho no café da manhã e que ia dormir pouco de tardezinha e até quero caminhar no final da tarde pra compensar a eletricidade no corpo. tudo a partir de outro dia. não achei meu filme preferido dos sábados chuvosos. simplesmente fiquei me olhando no espelho da sala até me certificar que eu estou bem. cozinhei com vontade, comi com fome. agora quero frutas, sucos e cereais. mas a eletricidade não passa e nada mais faz sentido. ou tudo faz muito sentido. é uma paz boa, estranha, como se finalmente depois de tanta confusão eu estivesse com os pés no chão. eu tenho os pés no chão, mas ainda assim consigo voar.

5 de mar de 2009

todos os clichês de uma ruptura, deveria ser. as águas de março acabando com o verão, com o meu verão, e umidade me dando o mofo de presente. nuvens carregadas num céu estranho e aqui por dentro borboletinhas amarelas rondando o umbigo. não entendo mais nada. e deveria fugir, correr, sumir e nem olhar pra trás, mas acho que estou fazendo justamente o contrário. refazendo planos antigos e ao mesmo tempo tão novos. é que de vez em quando eu desejo que esse país seja menor. bem menor.

26 de fev de 2009

têm sido estranho não me reconhecer nas coisas que escrevo. se paro de escrever é como se alguma coisa faltasse, entre os copos de café, uma frase bem dita, um olhar diferente, alguma coisa falta. e se não é escrito, falta mais, porque minha memória já não é a mesma. os anos, as decepções, a memória seletiva, tudo isso não me deixa guardar certas coisas. enquanto isso muitos besouros voam sobre a minha cabeça.

25 de fev de 2009

Está lá. Há mais de três anos, pra ser mais especifica, mas nunca me incomodou tanto quanto agora que a casa está vazia. Continua do mesmo tamanho, no mesmo lugar, do mesmo jeito de quando eu a vi pela primeira vez e jurei limpar no mesmo instante, mas a preguiça foi maior e quando aquele pensamento “é uma sujeirinha à toa” passou pela minha cabeça já tinha desistido e fui cuidar de outras coisas, mas não pense que eu nunca limpei a casa de novo, limpei sim, mas sempre pensava em deixá-la lá, afinal uma “manchinha boba” que já passou por tantas coisas comigo. Lembra de quando você me esqueceu trancada dentro de casa e passou o dia fora? Pois então, eu lembro que chorei muito deitada no chão da sala, ouvindo qualquer coisa que me doesse por dentro e isso podia ficar entre Chico Buarque e umas dessas duplas sertanejas que pegam a gente se surpresa numa dor de cotovelo qualquer... sim, me lembro bem que, deitada no chão da sala vi aquela mancha ali, solitária e esquecida, parecidíssima comigo. Juro que mais uma vez naquela ocasião lembrei de limpá-la, mas não consegui. Nunca consegui. Já disse, ela passou por muitas coisas comigo. Sim, aquela sujeirinha de nada me fez pensar muito mais na minha existência do que você ou qualquer das pessoas que já amei nessa vida. Ah, essa manchinha. E estou de novo aqui, deitada no chão da sala, mas dessa vez vazia de qualquer sentimento que me leve até a dor de estar aqui sozinha. Eu e essa sujeirinha boba.

21 de fev de 2009

tenha essa saudade já rouca de gritar por ti nos sonhos. e que eu não consigo mais ignorar. essa vontade de te contar as coisas que acontecem por agora. dos caminhos que decidi traçar num papel em branco e que tu adoraria rabiscar pra me deixar perdida, eu sei. ia te achar chato e ignorar teus enjôos, porque no final das contas gosto de te ouvir reclamar das minhas coisas imprevisíveis. sou assim, eu diria, mas no final das contas não era por isso que tu me amava?

16 de fev de 2009

quando soube que o adeus era inevitável um arrepio me subiu pela espinha. engoli seco e respirei fundo, prevendo lágrimas. a partir daí qualquer coisa seria uma despedida. da música no fone de ouvido ao olhar das pessoas na rua. e era dificil até cruzar meu olhar com o teu. medo. de olhar e sentir falta antecipada. de sentir náusea diante de tamanha beleza e do sentimento que carrego e já não quero mais carregar, não consigo mais. daí quero achar que tá tudo certo e não consigo porque de todas as músicas do mundo o homem vai cantar logo aquela, aquela da última despedida, aquela das lágrimas mais ácidas e mais doloridas. aquela. pra quê né? entre o não conseguir acreditar e qualquer outra coisa, eu fiquei com qualquer outra coisa que era congelar na cadeira e quebrar em micropedacinhos tentando imaginar o que estava passando no corpo ao lado. que lembranças essa música te traz? o que te faz sentir? pra mim nem sei mais. era vontade de sair correndo e voar.
E eu soube que quem sempre vai embora sou eu.

15 de fev de 2009

azul quase morto. era a cor daquela hora. amarelo brilhante quase morrendo também era a cor da única nuvem no céu de Domingo. era quase tudo muito hostil aqui por dentro, só por dentro. Era a saudade dela e dessa impossbilidade filhadaputa de vê-la crescer perto de mim. Jamais verei isso, minha imaginação não trabalha assim e essa dor que bate no meu coração e se espalha pelo sangue como veneno não vai acabar com esse dia azul e amarelo.

12 de fev de 2009

Tenho sobre mim, provavelmente, uma opinião oposta de quem me olha nos olhos. Penso que os traços juvenis passem a idéia de inocência, mas por dentro sinto como se tivesse vivido uma vida inteira. Talvez pela vontade tão latente de viver e experimentar o mundo, marca que me acompanha desde o berçário e aprimorada na educação em casa. Devo carregar defeitos e qualidades como todo ser humano na terra, mas tenho consciência da necessidade de ser uma boa pessoa, respeitar opiniões, diferenças, etc. Acredito também que a timidez atrapalha um pouco, falo baixo, desvio olhar, mas tudo é uma questão de treino. muito treino. Ou te tempo. Penso agora se escrever é cortar palavras, viver é como uma colcha de retalhos, das experiências, lembranças de infância, família, dos amores que tivemos, das tristezas que choramos, dos livros lidos, não-lidos...enfim. Somos todos um mundo. Sou um mundo. Uma menina mundo. Uma simples colcha de retalhos.

10 de fev de 2009

Veio me visitar na noite mais quente dos últimos meses e ainda assim parecia tudo muito frio, porque tu me cobriu com o edredom e me abraçou como se o mundo estivesse congelando. e mesmo se estivesse, eu queria morrer daquele jeito. abraçada em você, me sentindo segura e quente. e nem parace que não te vejo há mais de cinco anos, porque eu realmente sinto você comigo.

8 de fev de 2009

E sinto tudo que não deveria sentir.
numa noite de domingo, mesmo pensando estar de braços abertos pro que der e vier,
não estou.
Eu quero mais.

3 de fev de 2009

observo o quanto ela tá apaixonada. e quanto ela gosta dele e me sinto um pequeno grão de areia nesse mundo de gostar. porque ela transpira esse querer todo. e eu me sinto egoísta de tanto querer falar do meu amor estranho.

2 de fev de 2009

E se me estranho tanto na tua ausência é porque quando um sms cruza a cidade pra me dizer que vai sentir minha falta é como se me quebrasse o corpo magro em dois pedaços. impossível de juntar novamente.
Essa vontade de te contar essas coisas tão comuns é porque eu quero dizer que esse é meu jeito de te gostar.
meu coração hoje pareceu uma escola de samba e eu imaginei que todo mundo ao meu redor deveria estar escutando as batidas secas no meu peito.

31 de jan de 2009

me queima as memórias esses dias chuvosos. acordo sentindo o cheiro de dez anos atrás e nem sei mais sei isso é bom. queria o cheiro novo invadindo meu dia às oito da manhã: de cabelo molhado, cheiro de sabonete e um olhar que me deixaria sem jeito.

30 de jan de 2009

previsão é de temporal nessa sexta-feira.
e o temporal que vive dentro de mim há alguns meses?

ninguém quis anunciar o jornal dessa semana.

27 de jan de 2009

aí a gente tem que aprumar o juízo. acalmar as ondas desgovernadas do coração. sentar um bocadinho na beira da calçada e agradecer por tudo que a gente tem. exercício. nunca fugi de nada, nem quero fugir nunca, eu só quero que tu me queira.

24 de jan de 2009

cheiro de baunilha com pêssego. sou eu mesma que espalho esse cheiro pela casa vazia e você diz que ainda quer dançar comigo. engulo seco e entendo que agora as coisas mudaram.
"também quero dançar com você"
Toca minha música preferida e eu me sinto única ali no salão,
tão boba que eu sou.
Eu e minhas unhas vermelho-paixão. Boba.

23 de jan de 2009

pintei as unhas de vermelho mais uma vez. mas dessa vez é só pra ver se colore alguma coisa a mais. e tá tudo querendo dar certo, mas algo aqui dentro não tá certo. acho que carrego essa coisa desde que nasci. esse suspirar pesado. todas as lágrimas derramadas em dias que deveriam ser só sorrisos. seres aquarianos são estranhos.
"Don't leave me here out on my own 
Don't you know how I hate to be alone"
pára o mundo que eu quero descer. agora!
eu acabei de nascer. há 23 anos atrás. e eu ainda nem sei o que eu tô fazendo aqui.

20 de jan de 2009

Carrego por dentro essa sensação exagerada de que não pertenço a mundo algum. trago bordado no peito o brasão dos desafinados, dos amadores verdadeiros. E fujo a cada promessa de amor.

15 de jan de 2009

hoje eu comprei aquele shampoo que era meu preferido antes de eu te conhecer: "para cabelos pretos" aí você voltou daquela viagem de férias e trouxe na mala um vidro cheio, seu novo tipo de shampoo que você fazia questão de dizer que era o cheiro do cabelo sua nova namoradinha. e eu sentia nojo cada vez que aquele cheiro saindo do seu cabelo entrava no meu nariz às duas da manhã, quando você silenciosamente vinha dormir abraçado comigo. por medo. carência. saudade. amor. mas hoje, depois de muito tempo eu consegui usar o tal shampoo sem sentir nojo, saudade, amor ou sem lembrar do seu sorriso e daquele teu cheiro que te acompanhava todo dia de manhã quando você cruzava o corredor indo pro seu quarto. hoje eu só consegui pensar em lavar o cabelo.

14 de jan de 2009

reescrevo a carta pela milésima vez. rasgo e depois quero colar tudo outra vez, só pra provar que eu não sou maluca. ou só pra provar que eu posso fazer isso sem ser maluca e nem me importo mais, já sabendo que mais uma vez você não vai me responder. então desisto das cartas. e de não parecer um pouco maluquinha pra você. apenas desisto.

11 de jan de 2009

tenho a impressão de que domingos chuvosos são os meus preferidos. fico ali deitada, com um frio gostoso subindo pelas pernas magras e com tanta vontade de que o viver fosse só assim: ficar enrolada no edredom enquanto o mundo lá fora enlouquece, mas pra isso você teria que estar aqui comigo. e parece que cada dia a mais é um dia a menos e faço preces, porque no mundo em que eu existo, você não pode existir. e onde você existe esses domingos são reais. mas daí já prefiro levantar e enlouquecer com o mundo. afinal é domingo. e chove.

8 de jan de 2009

Quase
toda vez que eu quase corro eu quase torço o tornozelo, vem daí minha desconfiança que minhas pernas não são lá tão retas quanto deveriam. ou tão fortes. sei lá. é assim com a maior parte do corpo que se diz meu. é tudo sempre quase estranho ou quase bom. quando me apaixono, é sempre um quase- amor e quando termina é quase-morte. é sempre um quase céu a vida toda, mas não me dói mais tanto ser no quase. porque eu sou quase alguém de verdade.

5 de jan de 2009

"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza". porque tem dias que eu preciso muito do caio fernando abreu.

4 de jan de 2009

acordo ouvindo as mesmas músicas de dois dias atrás. e canto, canto e canto, mas sinto meu corpo cansado de todos esses dias. cabeça quase leve e cheia de água. ainda tenho tempo pra olhar as paredes amarelas e decidir pela milésima vez que daqui a pouco elas serão brancas, como que limpas, leves e receptivas. e na empolgação dos novos planos ainda sinto o cheiro de piscina que vem dos meus cabelos. quero levantar e fazer desse domingo, um domingo. com filme. pipoca. preguiça e café em boa companhia no fim de tarde.

1 de jan de 2009

' eu tô vivendo normalmente, daí vem você com seus detalhes e me mostra tudo,
e eu gosto,
mas me incomoda muito '