29 de dez de 2008

tô limpando a casa meu bem, pra que as coisas boas possam chegar e deitar no chão da minha vida sem medo. sem medo. coloquei as lembranças ruins trancadas numa caixa e as boas guardadas na terceira gaveta na minha mesa, porque a primeira vai ficar vazia pro novo que vai chegar em breve. não quero nenhuma resolução de fim de ano, quero seguir a vida naturalmente sem me privar de nada. o que vier será bem vindo e bem aproveitado. "sambo bem a dois por mim, bambo e só, mas sambo sim" .

28 de dez de 2008

O tico nunca namorou
Tico podia ser meu pequeno amigo imaginário ou alguém que eu nunca vi na vida, mas que tem tudo a ver comigo. Só vi tico uma única vez, há uns meses atrás, quando procurava na rua o lugar de onde vinha um barulho estranho, foi quando o vi ali, paradinho no jardim e chorando. digo chorando porque foi o que me pareceu na época, mas acho que tenho que dizer que o tico grita e grita de um jeito que eu queria gritar quando algo em mim dói, por isso acho que o tico se parece tanto comigo. ou, justamente por isso ele não parece tanto comigo, mas voltando ao Tico: nunca namorou na vida e eu sei disso porque ele carrega consigo uma amargura e uma tristeza que é digna de quem não amou ainda. E que provavelmente tem dúvida se ainda vai amar. Digo amargura, porque é a única palavra que tenho em mente agora, mas talvez seja só a ausência de saber o que é o amor. Tico não sabe o que é amor, mas mesmo assim leva dentro de si uma dor tão grande, como se amasse, mas por segundo chego a crer que a dor de não amar é mais estúpida que do próprio amor. E quando o tico grita perto da minha janela, eu, secretamente desejo que ele um dia consigo fugir dessa vida, dessa casa, dessa gente e que finalmente conheça o mundo com seus grandes olhos verdes e vivos. e ame, ame muito. ame os seus, ame a noite, infinitamente ame.

25 de dez de 2008

vermelho
pintou a boca de vermelho pra recebê-lo na noite de natal e como é de costume dormiu depois das duas primeiras taças de vinho. no calor dessa noite sentiu seu braço a envolvendo lá pelas três da manhã. beijando o seu pescoço como se dissesse: "- cheguei". e o abraço forte pra não deixar que ela escapasse da sua vida. "não, eu não escapo de você não." (nunca fugiu dos seus desejos, era o que ela queria dizer.) acorda ainda sonolenta e vai de encontro aos olhos dele, que observam silenciosos e ao mesmo tempo é como se quisessem lhe gritar todas as palavras. e ela foge desse olhar, porque não consegue decifrá-lo. e ele a abraça novamente como se não existisse nada mais nesse mundo, no final das contas, ela tinha pintado a boca de vermelho pra que ele a olhasse daquele jeito: como se quisesse guardá-la pra sempre em sua memória.
final de ano é sempre muito chato. é quando eu descanso minha cabeça no travesseiro e penso sobre tudo que deu certo e claro, o que deu muito errado. nas coisas chatas que tive que suportar e nas coisas boas que invadiram meu corpo. das mil borboletas coloridas que eu vi quando abri a porta pela primeira vez. ( essa é a parte boa) e eu fiz questão de deixá-las livres, voando pelo mundo, pra que eu não sentisse falta delas quando ele não estivesse mais aqui. essa também é a parte boa: amadurecimento. e no final das contas, coisas da vida, e muito mais de nós. só sei que não gosto de final de ano. nem natal, nem festa de ano novo. não, não gosto. parece muito mais um punhado de ausências.

24 de dez de 2008

saldo do dia 24: dois vinhos. dois perus. alguns litros de coca cola. sorvetes. dois filmes novos. cinco long necks. um bolo de chocolate. meu arroz com alho(delícia!). cerejas e pêssego. acho que consigo sobreviver por hoje sem muitos problemas.

23 de dez de 2008

quero escrever sobre você, quero te contar os meus pensamentos mais malucos das últimas semanas, te contar do frio de manhã. te mostrar todas as minhas fotos preferidas e te deixar levar uma. ou duas. três. te falar que eu gosto do teu gosto. do cheiro que é teu e que eu quero. te falar baixinho: aqui dentro não mora medo.

21 de dez de 2008

15 de dez de 2008

o tempo escorre por entre meus poros e cabelos pra que no próximo amanhecer do dia esteja tudo limpo dentro de mim. É que também desejo mais. Muito mais.

Desejo terminar o que começo. E, se não, acordo incompleta como se precisasse procurar em outro lugar aquilo que não tive nos braços teus.

E esse outro lugar é dentro da minha própria cabeça.

3 de dez de 2008

alguém na minha rua. Alguém na minha rua está sofrendo por amor, sei disso pelo barulho que o vento trás e pelo meu passado negro de saber que quem toca é o raça negra. E digo que sofre de amor é porque já sofri de amor ouvindo tais melodias. Uma boa hora pra confissão, mas hoje em dia tenho dores e escuto apenas o silêncio dessa existência. E enquanto reflito sobre essas coisas, a Maria me aconselha a desistir do meu objetivo e ir viver alguma outra coisa em algum outro lugar, mas como será? Foi só mais um obstáculo que não foi ultrapassado. Tudo bem que eu já tentei passar por ele algumas vezes e não consegui. Paciência. Só vou conseguir passar dele quando eu me der conta, de verdade, que é isso que eu quero e enquanto eu não estiver totalmente mergulhada nisso, só vou bater com a cabeça na parede de concreto, eu sei. Sei de tudo isso e de tudo mais. E sei também que já me sinto velha e quase uma fracassada, mas não é por mim, é só pelas expectativas que Maria e José e fulano e beltrano depositam num futuro mais bonito pra joaninha aqui, que talvez se renda e ainda chore desmedidamente ouvindo raça negra. Quem vai saber? - E penso ainda naquele sonho de morar numa fazenda, criar pato, galinha, três cachorros e dois gatos, cinco filhos, vááááários netos e quiçá um ombro pra encostar a cabeça quando se cansar. E sei do mesmo tanto que tudo nessa vida é especulação. E desaba. É isso que eu queria dizer. Que tudo pode desabar. - E quando falar assim, alguém me dirá que é pessimismo, mas não é não. É só ter vivido uma série de coisas e ter conhecido pessoas diferentes e viver se encantando mundo a fora, que dá pra saber que uma hora o prédio cai, o amor acaba, a paixão esfria e o bonito, fica feio. Isso só me lembra que quanto mais a gente fantasia sobre o mundo e sobre as pessoas que a gente jura conhecer, maior a queda pode ser. Alguém na minha rua ainda sofre por amor e podia ser eu.

1 de dez de 2008

acordo lá pelas tantas pensando no vazio da rua às duas da manhã. e penso que deve ser esse mesmo o significado de tudo. ali, sentados naquele vazio tão cheio de todas as coisas que a gente nem ousa pensar em dizer.