26 de set de 2008

dia de sexta feira é dia de saudade bater na porta logo cedo. por isso hoje eu demorei a abrir a porta e fiquei mais tempo enrolada no lençol com a cara pra baixo. é que eu queria ignorar a saudade. mandar ela ir bater em outra porta, mas não deu, a danada é teimosa que nem eu. quando eu saí e vi a luz do sol a iluminar o quintal, lá vinha ela como a poeira e entrou bem no meio do meu peito. agora ela deve ficar o final de semana inteiro me fazendo companhia. isso lá é bom.

24 de set de 2008

tive uma vontade incontrolável de te sorrir grande e dizer que queria mesmo era te segurar pra nunca mais soltar. que dessa vez eu queria que fosse. ora! que apenas fosse, porque há tempo não é mais. eu queria ser. só ser já seria muito mais reconfortante. e seria pra transbordar aquelas borboletas todas do mundo que estão prestes a acordar aqui dentro. tive uma vontade imensar de dizer: - vamos?

22 de set de 2008

A luz queimou e deixou mais escuro aquilo que já era escuro: o seu interior. Porque ali poderiam existir mil lâmpadas da mais alta “capacidade iluminativa” que nunca chegaria a ser uma pessoa iluminada. E nesse ponto era como um ator triste a interpretar a personagem mais feliz de todos os contos, uma perfeita mentira, por isso a luz podia mesmo estar acesa, isso não importaria naquele momento, nem para aquela pessoa. Não se podia numa hora, num dia ou em mil anos descobrir o por quê dessa escuridão toda dentro de uma pessoa que poderia ser livre. E sempre se pergunta: livre de quê afinal? Porque a pessoa sem liberdade pode ser quem analisa também, não se pode esquecer que tudo nesse mundo está ligado a uma só afirmativa: depende. A luz continua queimada.

18 de set de 2008

de repente caí num choro desmedido. uma dor dentro do peito. bem no meio do vazio. do oco. um corpo oco. sem vida. sem amor. sem nada. e ao mesmo tempo com tudo que precisa, mas o essencial não está lá. o essencial que eu não sei nomear e não sei por onde começar.

15 de set de 2008

Foi uma saudade estranha. Digo estranha porque já não existe amor, mas aquela falta de alguém que eu sei que já não existe mais. É como uma morte. A pessoa com quem eu queria estar não existe e nem vai existir mais. E isso dói às vezes, mas também me deixa mais leve. Eu só queria aquela sensação de tê-lo ali, pronto pra me segurar a qualquer hora como tantas vezes já fez, mas não, não dava, não dá mais. E é um sentimento que me pega desprevenida em alguns dias da vida, ultimamente. É vontade que esse lugar seja preenchido, mas não só preenchido pelo simples fato de me sentir não-vazia, mas porque eu preciso me dividir em alguém. E eu não seiu explicar o por quê. Não sei, só sinto assim. Quero acordar e perceber que as cores estão mais vivas ao redor.

14 de set de 2008

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo." Caio F. A.

10 de set de 2008

a lua lá em cima. a vida toda aqui embaixo. e pergunto: - por onde vou andar daqui a 20 anos?

7 de set de 2008

era como se eu tivesse levado um soco na boca do estômago. tudo ia cair em cima do meu corpo magro e o chão se abriria e me consumiria pelo umbigo. em dois ou três segundos eu seria reduzia à nada. mas fiz o movimento de baixar a cabeça e o sangue voltou aos vasos e veias. e eu enfim, pude respirar aliviada.