28 de dez de 2008

O tico nunca namorou
Tico podia ser meu pequeno amigo imaginário ou alguém que eu nunca vi na vida, mas que tem tudo a ver comigo. Só vi tico uma única vez, há uns meses atrás, quando procurava na rua o lugar de onde vinha um barulho estranho, foi quando o vi ali, paradinho no jardim e chorando. digo chorando porque foi o que me pareceu na época, mas acho que tenho que dizer que o tico grita e grita de um jeito que eu queria gritar quando algo em mim dói, por isso acho que o tico se parece tanto comigo. ou, justamente por isso ele não parece tanto comigo, mas voltando ao Tico: nunca namorou na vida e eu sei disso porque ele carrega consigo uma amargura e uma tristeza que é digna de quem não amou ainda. E que provavelmente tem dúvida se ainda vai amar. Digo amargura, porque é a única palavra que tenho em mente agora, mas talvez seja só a ausência de saber o que é o amor. Tico não sabe o que é amor, mas mesmo assim leva dentro de si uma dor tão grande, como se amasse, mas por segundo chego a crer que a dor de não amar é mais estúpida que do próprio amor. E quando o tico grita perto da minha janela, eu, secretamente desejo que ele um dia consigo fugir dessa vida, dessa casa, dessa gente e que finalmente conheça o mundo com seus grandes olhos verdes e vivos. e ame, ame muito. ame os seus, ame a noite, infinitamente ame.

3 comentários:

uma personagem disse...

não existe amor, darling.
nunca ninguém sentiu e toda a dor de amor que existe é a de nunca te-lo sentido.

w.h. disse...

"o que é o amor? onde vai dar? parece não ter fim..."

Diana Valentina disse...

ainda acredito.